É melhor não ser consciente

As idéias norteam o agir do homem em sua dada realidade. As idéias, compreensões de mundo, emergem dentro do sentido do horizonte do vivido. Estão enraizadas, emaranhadas, com o agir prático do homem na contrução de seu projeto de vida,enquanto indivíduo e coletividade. As compreensões de mundo, representam as forças, as perspectivas, as metas de uma práxis concreta, de um agir do homem no mundo, e se manifestam pois, dentro de uma época, dando os seus contornos característicos e indicando o que está por vir. As manifestações humanas, que refletem as idéias: a cultura, a filosofia, as ciências, movem-se, pois, em um âmbito concreto de uma dada realidade historicamente situada. Nâo se faz então certo, quando nos dirigirmos à essas práticas, irmos em direção sobre seu ser, de uma forma abstrata e distante do real, mas sim, trazê-las quanto mais perto para o nosso horizonte do real, enquanto produção de vida engendrada em um lógica que nos aponte para um fim (télos), enquanto seres humanos.

2. “ (…) Não é a consciêcia que determina a vida, mas a vida que determina a consciência (…)”
A produção do conhecimento não nasce de si mesma, e não se explica por si mesma, é fruto do esforço de homens reais, situados em um mundo real. Não é no interior subjetivo-metafísico do homem e por ele mesmo que se dará a manisfestação da verdade, mas dentro da sua experiência com o mundo real concreto e determinado. O pensamento contitui-se por uma experência vital, que por sua vez, contitui uma dada realidade subjetiva e outra objetiva, uma comunicabilidade,compreensibilidade, cognocibilidade da própria experiência do ser, cujos limites, germe, estarão velados enquanto o homem não for capaz de pensar, alcançar as forças extras que envolvem essa experiência do ser. O ser é o próprio processo de vida real dos homens, logo a consciência nunca pode ser mais do que o próprio ser consciente. Agindo ” cartesianamente”, o homem se perde nos labirintos da sua consciência e esquece da vida que pulsa a sua frente. As ideologias morais, religiosas e metafísicas até, não criam o real, como se elas fossem os alicerces da realidade que experimentamos. São os seres humanos, no movimento do que lhes é vital, material, no desenrolar de suas experiências , que vão transformando o pensamento, indo delineando, por sua vez, o mundo enquanto realidade prática.

Que relação prática o homem estabelece com a vida, para retirar seus pressupostos e apontar seu devir no mundo? Qual a relação que o homem trava com o mundo, para retirar seus pressupostos de pensamento e consciência? Quais os limites que nos são impostos à consciência, coercitividades estruturais, que nunca ultrapassamos no âmbito da vida, seja pela nossa própria formação cultural, ou pela nossa própria constituição afetiva, pela qualidade de nossa vontade, de nossa atividade vital.

Assim, em que sentido nossa consciência já não se acha condicionada, bloqueada pela própria constituição social a que nos enrolamos? Apenas uma transformação na própria estrutura social é que possibilitaria uma revolução da consciência, uma vez que partimos é do real na emolduração da nossa concepção de mundo. Existem “barreiras” estruturais do pensamento que não se fazem apenas em um plano idealógico/idealista.

O pensamento se torna uma prática internalizada,deixa de ser um simples “sistema de idéias”para marcar a estrutura consciente de uma coletividade e abrange dimensões inconscientes, imaginárias, de certa forma, desarticulada da própria experiência existencial e social dos sujeitos, mas que está marcada em seu âmago, e se expressam nas mais variadas atividades humanas: como nas instituições,nos valores e na cultura dos sujeitos sociais.

O que marca um regime epistêmico,são as forças extra-discursivas, marcam a gênese, o vigor, os limites, a ressonância da produção dos dircursos. Entretanto não cabe somente identificar que os discursos servem à uma lógica de força e dominação, cabe muito mais, identificarmos em nós mesmos, na nossa fala, nos nossos traços culturais, a mecânica que essa dominação da linguagem usa para nos embarreirar de uma consciência livre. Para Harbemas uma estrutura de linguagem e comunicação distorcida de modo sistemático, ganha aparência de ser normal e racional. Ele quer dizer que existem no interior dos discurso norteadores de uma sociedade, elementos que agem silenciosamente, em favor de uma dinâmica de forças, mantendo uma imposição das idéias dominantes em relação às consciências subordinadas à tal dinâmica. O pensamento dominante se traveste de premissas que determinam o vigor de uma dada estrutura de linguagem, pensamento e comunicação. Tornar-se pensamento dominante significa, a certo modo, ditar as regras, sobre o olhar da sociedade, contruir premissas não problematizadas que vão alicerçar os formatos da consciênca, da linguagem e da comuniação. Há um encobrimento da deturpação da linguagem, da consciêcia, pois tomando as premissas como verdadeiras elas se tornam inquestionáveis, ficando difícil fugir à suas cercas e enxergar claramente o “fora” dessa rede de premissas extra-discursivas. A pergunta que podemos fazer deixa é: Como fugir a essas forças extra- conscientes e ser feliz, tendo que conviver ao mesmo em um mundo mergulhado nessas redes, sem se tornar excêntrico ou “maluco”?

Nesse sentido é ótimo não ser consciente, melhor estar no quintal e olhar o céu do que dormir vendo TV.

Abraços a todos. Ramando Carvalho

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