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1972, NEU!

O NEU! impressiona. E é chato pacas ficar resenhando álbum. Parafraseando a Wikipedia, “NEU! é uma banda alemã, formada em 1971, em Dusseldorf, por Michael Rother e Klaus Dinger após os dois terem participado na banda alemã Kraftwerk. Representou, provavelmente, o que os críticos rotularam de Krautrock, cena do rock alemão dos anos 70.

Isso daí só serve pra você digitar Dusseldorf, Kraftwerk e Krautrock pra começar a ouvir o que tem por trás dessa história. A Wikipedia também cita meia duzia de músicos influenciados pelo NEU!. Isso também não serve pra nada, no máximo pra uma conversa de boteco. E mesmo assim ainda é possível que a discussão caminhe pro jeito correto de se pronunciar NEU! e Kraftwerk.

1972, NEU!

01. Hallogallo
02. Sonderangebot
03. Weissensee
04. Im Glück
05. Negativland
06. Lieber Honig

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Suprasubstancial, Airmetica.

Alegria, alegria! Enfim, disponível no Vimeo o vídeo Suprasubstancial, produzido e editado pro Dalmo Rogério e Gustavo Senna. Falamos aqui não de um simples vídeo de skate, mas de um trabalho árduo de filmagem, edição e experimentação visual que teve início nos idos de 2002, sendo lançado apenas no fim do ano passado em uma premiére no Cine Jardins, acompanhado de uma exposição de obras de expurgadores e agregados.

Desde então o vídeo circulou pelo Rio de Janeiro (Circo Voador), Belo Horizonte (Uzina Bar) e Barcelona (Mundaka), até ser disponibilizado integralmente na web. Nas palavras de Dalmo Rogério, “A singularidade de uma imagem nova criada a partir de uma técnica de captação em movimento relativamente nova, geram imagens que seduzem, mas o que é realmente significante nessa pesquisa é tentar modificar sempre, e aos poucos o nosso ponto de vista anterior, buscando encontrar na experiência seguinte, de uma filmagem seguinte, uma determinação daquilo que se quer alcançar nos fenômenos da imagem.”

O trabalho conta com a colaboração dos expurgadores e outras tantas pessoas que se envolveram no projeto. O resultado pode ser visto nas inúmeras animações realizadas através de diferentes técnicas, incorporando tanto o processo manual quanto o digital.

Sem mais delongas, pra todos aqueles que esperaram e ainda não tiveram a oportunidade de assistir e também para os que até então desconheciam o resultado da pesquisa visual da dupla, eis o vídeo:


Documentário: Uma breve história do tempo.

Stephen Hawking é sinistro. Se não fosse a doença degenerativa, no entanto, ele provavelmente estaria perdido em algum lugar por aí, bebendo cerveja junto com os amigos e discutindo a origem do universo. O documentário está disponível legendado, na íntegra, dividido em oito partes. Salve, youtube!


COMP_SIT*EXP/KALAKUTA

O coletivo Expurgação é formado por artistas e designers radicados na Grande Vitória/ES e sediados desde 2008 na Kalakuta, um pequeno espaço de produção e criação também utilizado como dormitório e centro de convivência.

Este volume apresenta uma seleção de fotografias de 7 artistas do coletivo sob os tags multiplicidade, estruturas, padrões, relações humanas e dimensão criativa.
As fotografias foram realizadas entre 2006 e 2009 como resultado de experimentações através da percepção individual e coletiva.

Fotografias de Alexandre Ney, Francisco Neto, Gustavo Senna, Huemerson Leal, Tiago Rossmann, Wérllen Castro e Yuri Salvador.

Clique na imagem para visualizar o livreto.
Se fuê!


Expurgação na Ecologic 2009

Esse ano foi o segundo ano de expurgação na Ecologic. Cada vez melhor, é certo. Dessa vez algumas figuras entraram em cena, como o lóki Baianinho, que mandou Idjaborô Manduacarú, Yo tambien quiero ser presidente e De bobeira com a rapaziada, tudo fistáile, no que a loucura da situação o permitia. Reapareceu também nosso broder Abraão “Soul Power” enviando uma mensagem para o Meu amigo Mago, Esteban Viveros. Emendou com Garantido o B.O., expurgando guitarra e microfone. O álbum inicia com Ananda Badawan, cantado pelas meninas duendes (ou garotas élficas?) e ainda tem a participação de Marcelo Voodoo no beatbox, se juntando a Caim para fazer Gua wabba iaba tchao poin. Por fim tem o imperdível remix por @chicow da música que mais arrancou risadas de todos durante as semanas que sucederam o evento. Se fuê.

01. Ananda Badawan
02. Meu amigo Mago
03. Idjaborô Manduacarú
04. Gua wabba iaba tchao poin
05. Yo tambien quiero ser presidente
06. De bobeira com a rapaziada
07. Garantido o B.O.
08. Icaborô Remix

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É melhor não ser consciente

As idéias norteam o agir do homem em sua dada realidade. As idéias, compreensões de mundo, emergem dentro do sentido do horizonte do vivido. Estão enraizadas, emaranhadas, com o agir prático do homem na contrução de seu projeto de vida,enquanto indivíduo e coletividade. As compreensões de mundo, representam as forças, as perspectivas, as metas de uma práxis concreta, de um agir do homem no mundo, e se manifestam pois, dentro de uma época, dando os seus contornos característicos e indicando o que está por vir. As manifestações humanas, que refletem as idéias: a cultura, a filosofia, as ciências, movem-se, pois, em um âmbito concreto de uma dada realidade historicamente situada. Nâo se faz então certo, quando nos dirigirmos à essas práticas, irmos em direção sobre seu ser, de uma forma abstrata e distante do real, mas sim, trazê-las quanto mais perto para o nosso horizonte do real, enquanto produção de vida engendrada em um lógica que nos aponte para um fim (télos), enquanto seres humanos.

2. “ (…) Não é a consciêcia que determina a vida, mas a vida que determina a consciência (…)”
A produção do conhecimento não nasce de si mesma, e não se explica por si mesma, é fruto do esforço de homens reais, situados em um mundo real. Não é no interior subjetivo-metafísico do homem e por ele mesmo que se dará a manisfestação da verdade, mas dentro da sua experiência com o mundo real concreto e determinado. O pensamento contitui-se por uma experência vital, que por sua vez, contitui uma dada realidade subjetiva e outra objetiva, uma comunicabilidade,compreensibilidade, cognocibilidade da própria experiência do ser, cujos limites, germe, estarão velados enquanto o homem não for capaz de pensar, alcançar as forças extras que envolvem essa experiência do ser. O ser é o próprio processo de vida real dos homens, logo a consciência nunca pode ser mais do que o próprio ser consciente. Agindo ” cartesianamente”, o homem se perde nos labirintos da sua consciência e esquece da vida que pulsa a sua frente. As ideologias morais, religiosas e metafísicas até, não criam o real, como se elas fossem os alicerces da realidade que experimentamos. São os seres humanos, no movimento do que lhes é vital, material, no desenrolar de suas experiências , que vão transformando o pensamento, indo delineando, por sua vez, o mundo enquanto realidade prática.

Que relação prática o homem estabelece com a vida, para retirar seus pressupostos e apontar seu devir no mundo? Qual a relação que o homem trava com o mundo, para retirar seus pressupostos de pensamento e consciência? Quais os limites que nos são impostos à consciência, coercitividades estruturais, que nunca ultrapassamos no âmbito da vida, seja pela nossa própria formação cultural, ou pela nossa própria constituição afetiva, pela qualidade de nossa vontade, de nossa atividade vital.

Assim, em que sentido nossa consciência já não se acha condicionada, bloqueada pela própria constituição social a que nos enrolamos? Apenas uma transformação na própria estrutura social é que possibilitaria uma revolução da consciência, uma vez que partimos é do real na emolduração da nossa concepção de mundo. Existem “barreiras” estruturais do pensamento que não se fazem apenas em um plano idealógico/idealista.

O pensamento se torna uma prática internalizada,deixa de ser um simples “sistema de idéias”para marcar a estrutura consciente de uma coletividade e abrange dimensões inconscientes, imaginárias, de certa forma, desarticulada da própria experiência existencial e social dos sujeitos, mas que está marcada em seu âmago, e se expressam nas mais variadas atividades humanas: como nas instituições,nos valores e na cultura dos sujeitos sociais.

O que marca um regime epistêmico,são as forças extra-discursivas, marcam a gênese, o vigor, os limites, a ressonância da produção dos dircursos. Entretanto não cabe somente identificar que os discursos servem à uma lógica de força e dominação, cabe muito mais, identificarmos em nós mesmos, na nossa fala, nos nossos traços culturais, a mecânica que essa dominação da linguagem usa para nos embarreirar de uma consciência livre. Para Harbemas uma estrutura de linguagem e comunicação distorcida de modo sistemático, ganha aparência de ser normal e racional. Ele quer dizer que existem no interior dos discurso norteadores de uma sociedade, elementos que agem silenciosamente, em favor de uma dinâmica de forças, mantendo uma imposição das idéias dominantes em relação às consciências subordinadas à tal dinâmica. O pensamento dominante se traveste de premissas que determinam o vigor de uma dada estrutura de linguagem, pensamento e comunicação. Tornar-se pensamento dominante significa, a certo modo, ditar as regras, sobre o olhar da sociedade, contruir premissas não problematizadas que vão alicerçar os formatos da consciênca, da linguagem e da comuniação. Há um encobrimento da deturpação da linguagem, da consciêcia, pois tomando as premissas como verdadeiras elas se tornam inquestionáveis, ficando difícil fugir à suas cercas e enxergar claramente o “fora” dessa rede de premissas extra-discursivas. A pergunta que podemos fazer deixa é: Como fugir a essas forças extra- conscientes e ser feliz, tendo que conviver ao mesmo em um mundo mergulhado nessas redes, sem se tornar excêntrico ou “maluco”?

Nesse sentido é ótimo não ser consciente, melhor estar no quintal e olhar o céu do que dormir vendo TV.

Abraços a todos. Ramando Carvalho


Mais três tracks no Soundcloud…

Já se encontra no Soundcloud três partes da expurgação no estúdio da EM&T. Frenesi total.

http://www.soundcloud.com/expurgacao